Desempregado fecha-se no WC do Ministério
Durante meia-hora, entre as 14,30 e as 15,00, os funcionários do Ministério da Segurança Social e da Solidariedade enfrentaram uma situação insólita no edificio lisboeta da Praça de Londres. Carlos Nunes ex- militante do CDS do Barreiro, expulso pelo partido no inicio do ano, barricou-se na casa de banho do ministério às 14,30. Queixa-se de " perseguição política " e decidiu barricar-se quando soube que não ia ser recebido pela directora de serviço e muito menos pelo ministro Pedro Mota Soares - com quem se incompatibilizou a quando das expulsões de militantes da concelhia do Barreiro do CDS.
A PSP foi chamada ao Ministério. Carlos Nunes só saiu do WC depois de falar com o comandante da 10ª Esquadra da PSP (Arroios ) e de ver a porta arrombada pela polícia. Como a sua iniciativa foi vista como pacífica pela PSP e o ex-militante nem estava armado, Carlos Nunes foi apenas identificado. Mas avisou a PSP de que em breve poderá vir a fechar-se na casa de Banho da Procuradoria-Geral da Republica, caso não consiga ser ouvido pelo procurador " ou alguém que o represente ".
Carlos Nunes, de 49 anos, solteiro, justifica o acto por se sentir " perseguido politicamente ", avançou ao DN. Também pelo "desespero" em que se encontra, por não ter acesso a qualquer subsidio de sobrevivência desde que foi despedido há três meses. O processo não é desbloqueado porque Carlos Nunes foi presidente da Associação de Desempregados de Setúbal até 2005, e a estrutura não foi desactivada porque necessitava de uma Acta de Extinção. Garante nunca ter recebido qualquer salário e não conseguir aceder ao subsidio de desemprego nem rendimento social de inserção. " Quando pedi ao segurança para falar com a Directora, porque me tinham mandado lá do próprio ministério, e ele disse-me que eu não ia ser atendido, porque não havia senhas, barriquei-me na casa de banho para exigir a presença da directora. "Diz que vieram 12 policias" para o deter mas que a PSP sabe que ele fez " tudo certinho ".
Artigo publicado na pág. 20 jornalistas Roberto Dores e Rute Coelho
Nota do visado
O facto ocorreu num departamento da Segurança Social sito na Praça de Londres Nº 9 onde a secretária do Ministério me enviou e onde supostamente teria a Directora à minha espera.
Os factos políticos devem ser em primeira instância imputados ao Dr. Nuno Magalhães presidente do Grupo Parlamentar do CDS/PP e eleito pelo distrito de Setúbal pessoa com quem me incompatibilizei e tem contactos preveligiados com a Directora da Segurança Social de Setúbal Dra. Maria de Fátima Lopes.
